Por vezes são preciso palavras fortes para nos poderem deitar por terra e nos fazer acreditar no que certamente está errado.
Por vezes é preciso ter a frieza suficiente para mostrar que nada nos atinge e que somos imunes a dores.
Por vezes é preciso olhar para o tecto sabendo que existe algo no canto do olho, respirar fundo e mostrar que afinal somos mais fortes do que parecemos.
Mas outras vezes não,
Outras é preciso pedir ajuda quando essas palavras nos atingem,
é preciso gritar de dor quando ela existe,
é preciso olhar para quem te causou dor e obrigá-la a ver o que causou.
Por isso ajuda - me a decidir o que devo fazer, o que devo recitar quando algo está mal, o que devo exigir quando a dor me percorre o corpo, quando tudo o que mais preciso é de, está tudo bem, tem calma.
Não é normal passado quase um ano e tudo o que já tive de passar, sofrer com tudo o que te diz respeito, ser chamado de doente.
Chamado de doente? É isso mesmo que eu sou? Um doente que para aí anda? Que não sabe fazer nada ou ser nada?
Sou doente por acreditar que tudo muda? Por saber que um dia irei ser algo e que poderei novamente ser feliz?
Se assim o sou, então muito obrigado por me fazeres abrir os olhos.
A doença irá passar um dia, e não irás passar de nada mais do que pequenas memórias que já não vagueiam pela cabeça, que mudam o meu estado de espírito e a minha saúde. Um dia irás ver o que este doente construiu enquanto estava sob efeitos do amor, da saudade e da dependência.
Magoou saber que não passo de um doente, e se calhar até tens um pouco de razão.. nem um texto consigo escrever coerentemente. mas nunca te esqueças que quando estiveste tu doente, nunca te chamei de doente ou acusei - te de mentiras, ajudei a levantar na fase inicial e final, quando me custou o mundo ter de me rebaixar.
Mas fi-lo sem nunca sequer o revelar. Infelizmente não podemos esperar que todos sejam iguais, porque até bem à pouco tempo era saudável.
Eternamente meu, na saúde e na doença.
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