Os dias vão passando mas nada vai mudando, a não ser que contes o facto do que eu sinto por ti. Não te preocupes ou fiques com medo, porque não está a mudar para o mau sentido. O que me assusta um pouco.
Mas vou-te confessar, que independentemente da distância e de tudo o que fazes para me magoar, eu continuo aqui a olhar para o teu rosto e preso no teu olhar.
Todos os dias penso e reparo que (como todos dizem), o café vai arrefecendo com o passar do tempo, o dia passa, a hora muda constantemente, mas não conseguem entender o meu ponto de vista. É certo que o café fica frio, mas em certas alturas é preciso tudo mudar para se sentir a falta do hábito e da rotina, para se ver a importância do calor quando se tem frio, para sentir falta da madrugada quando se tem o dia, e foi preciso tu me ferires desta forma para eu ver o que sentia por ti, eu sei que não o deverias ter feito e que me deixou de rastos. Mas foi preciso tu me matares para eu poder ver que havia vida nas cinzas. Não te perdoou é certo, isso tu própria o sabes, mas o que não sabes é que eu continuo a sentir-te perto de mim, a dizeres que vou vingar e continuo a olhar para cima quando algo corre mal e sinto-te a falar no meu ouvido com palavras de reconforto. Só queria que tu soubesses o quanto me dói estar a 2000km de ti (distância essa que tu própria contaste, lembraste?), porque nos meus piores momentos eras tu que lá estavas para tomar conta de quem é tonto e sonhador, de quem vive num mundo onde a bondade governa.
Aquela sensação de que nada tem o mesmo toque, não sei se toque é a palavra certa, e perdoa-me se não for a palavra certa. Mas sinto que tudo, apesar de ser diferente de tudo o que vivemos, não é igual ao que me mostraste, as tuas receitas não tem o mesmo sabor mesmo quando as sigo à regra, o pôr-do-sol não tem a mesma intensidade, o chão não parece tão firme quando passo nos mesmos sítios, as pessoas parecem-me todas iguais e sem sal, já não tem sequer a mesma piada fazer troça de desconhecidos porque parece que me sinto como eles. Vazios e à procura de um momento de felicidade.
Nem os próprios casais me parecem tão apaixonados como eram quando nós os víamos, e olha que eles continuam com os mesmos beijos e brincadeiras... Porque será? Achas que estou a alucinar ou o mesmo se passa contigo? Parece que desde aquele momento a vivacidade da vida ficou contigo, quer dizer, tenho a certeza... Porque razão me garantes que não tens nada meu contigo? Eu juro que me falta muita coisa... Se encontrares algo meu entretanto, por favor devolve, porque está a fazer-me toda a falta do mundo.
Mas não te vou julgar por não correres atrás, aliás, seria injusto perder tempo a julgar-te depois de tudo o que fizeste, não achas isso? Secalhar o melhor mesmo é deixar tudo como está e não massacrar mais o que não sente dor.
Já vi que as batalhas terei de enfrentá-las todas sozinho, com um olhar no cimo e outro no acontecimento, com o pensamento fora da situação mas com a pressão de quem não pode falhar. Eu aprenderei a caminhar sozinho, sem qualquer mão para segurar as minhas falhas, sem qualquer possibilidade de amparares a minha queda.
Vai doer, infelizmente vai.
Não tanto como ficar sem base, essa mesma que se mostrou de papel quando a idealizei de betão.
Mas infelizmente vai.
Eternamente teu, mesmo sem coração e mente.
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