junho 22, 2015

Café? Para a vida, por favor.

1,73 metros, futuro engenheiro da multinacional, conseguiu o que sempre quis.
Tinha carro que valia mais que uma casa, um palácio, e um amigo de quatro patas que sempre o acompanhou.

aqui provavelmente estará aqui o maior conto que toda a gente imaginara como objetivos de vida. nada melhor que poder contar aos netos o que vivera, como vivera e o quão bom era no que fazia.

mas a verdade é que o seu palácio se terá tornado numa masmorra numa questão de meses,
1,61 metros, um coração cheio, nunca quis dinheiro na vida.
bastou um simples olhar numa farmácia, ele; procurando um remédio para curar a dor,
ela; o antídoto que ele precisava.
Boa tarde, posso ajudá-lo? - perguntava ela querendo saber mais sobre a sua saúde.
Gostei do sorriso, conquistou-me. disse ele entre dentes. -
Sim, remédio para as dores.

Café? - Prefiro amor, obrigado.
rendido automaticamente às suas palavras. sentiu com todo o arrepio cada brisa que saía da sua boca para pronunciar as palavras.
Amor eterno, quente ou morno? - Sem açúcar por favor, faz mal ao coração. -Assim como a paixão, mesa 3!

meses passados, cafés aqui e amores acolá e um engenheiro teria de voltar novamente a aprender. toda a teoria do sentimento, do valor e como esquivar a rotina.
mas sejamos francos, sempre gostou de escapar as teorias e esta não seria excepção.
tanto amor dado e oferecido, tanta cumplicidade debaixo do lençol, para tudo ser destruído por um simples mal entendido.
Amor serve para viver. Não, para renascer.
ficou por aqui, já não havia sintonia nas palavras, não havia conexão de frases, os pensamentos estavam dispersos.
quando ele viria a encontrar umas masmorras no seu palácio, mostrou a todo o mundo que não importa do tamanho do imóvel, mas o tamanho do que é móvel.

Quem deixou quem? O amor; respondeu ele.

um dia,
depois do árduo dia de trabalho de engenheiro, sentou-se na sua cozinha, papel e caneta em punho, um copo cheio de vinho tinto e que se faça magia, algo que lhe escapara à muito tempo.
mas o que apenas conseguiu decifrar foi que não importa o quão torta seja a letra, quão grande seja a caneta, quão cheio esteja o copo, irá faltar sempre alguém para que possamos olhar em frente.
papel rasgado, coração desfeito.

Bom dia senhor, Café? -Já tive amor que chegue, obrigado.
Com certeza, sai sem açúcar como ultimamente, mesa 3!

Sem comentários: