Queria que soubesses o quanto especial és para mim.
Queria ainda mais que soubesses o quanto especial eu queria ser para ti.
Queria que soubesses o que eu daria por ti.
Queria também que soubesses o quanto o teu mundo importa para mim.
Queria que... Não sei, simplesmente queria.
digitou o mesmo texto inúmeras vezes, de uma forma ou de outra tentando sempre atingir a forma que ela tinha para ele. a perfeição.
no topo do visor podia-se ler o nome dela como destinatária e ele não se atrevera a olhar para lá pois sabia o frio que lhe daria no estômago.
olhar sério e corajoso, texto completo e tudo o que faltava era carregar na parte mais direita do ecrã, e tudo estaria fora das suas mãos. ele soubera de antemão que tudo o que ali estivesse escrito iria ser a prova de amor mais bonita e alguma vez criada, ou pelo menos era o que ele pensava e ele adorava pensar isso, porque era a única coragem e certeza que ele tivera na vida.
horas a fio, sentado na sua secretária a olhar eternamente para o texto, relendo e relendo, procurando sempre o menor erro para que podesse tornar ainda mais perfeita a mensagem.
mal ele sabia que do outro lado ela apenas esperava que ele se lembrasse dela, bastava um oi mal escrito, e logo ela que detestava um oi. mas por ele valia a pena, era o que ela pensava.
basta uma letra solta para que sirva de início para o novo sentimento.
ele passando horas a olhar para a obra de arte que ele imaginara a verdadeira expressão de sentimento, ela cansada de esperar para que ele reparasse na sua existência.
É agora! É desta que tudo vai cair por terra, é pegar ou largar! -pensava ele com toda a coragem do mundo, e mal apertou o ecrã, apareceu o palavrão mais macabro do mundo; enviando..
o corpo dele congelou, a sua cabeça só imaginava mil e um desfechos, mil e um azares, mil e uma maneiras que ela podesse ignorar a sua entrega de corpo e alma, até que apareceu novamente o seu sistema operativo a troçar com ele e dizendo; falha ao enviar.
com todos os milhares de milhões de pessoas do mundo aconteceu mesmo a ele, com milhares de milhões de telemóveis piores que o dele aconteceu mesmo a ele.
desesperou, nada mais poderia fazer para dar início à sua vida completa, tentou todas as formas possíveis, correu aos correios escrevendo em carta mas até os correios estavam de mal com ele, pudera, já passava das 2 da manhã. tentou ligar para a rede mas nada, tudo só poderia indicar uma coisa,
não estava destinado para ele.
por mais que doesse, ele sabia que tinha de o aceitar.
o que mais o magoava não fora as horas passadas a atingir a perfeição, não fora as palavras escolhidas uma por uma para fazer a frase mais completa e expressiva para poder fazer o texto perfeito, acreditem que não era.
o que mais dava cabo dele por dentro era o facto de ter perdido a oportunidade de relançar novamente a sua vida, de começar um projecto novo com alguém servindo de base, era poder correr às 2 da manhã aos correios e saber que tinha companhia para lá.
isso sim, era isso que o matava. pois sabia que haveria alguém que mais tarde ou mais cedo iria conseguir enviar a tal mensagem, não tão bonita como a dele e ele sabia disso, mas suficientemente para conseguir leva-la dos seus braços e do seu olhar.
frustrado, olhou uma vez mais para a crueldade das palavras, sentou-se na cama, deitou-se, e assim se perdeu mais um amor puro.
ela, chateada fez o mesmo, e apenas balbuciou duas palavras que no vazio do quarto não fizeram sentido mas ela sentia, não sabia porque mas eram corretas;
eu também.
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